As empresas americanas que têm negócios com a Huawei ganharão mais um tempo antes de  cortar laços com a companhia chinesa. De acordo com o Verge, documentos do Departamento de Comércio dos EUA registrados nesta segunda-feira (18) indicam que haverá mais uma prorrogação de 90 dias para a proibição de relações comerciais entre entidades do país norte-americano com a Huawei começar a valer.

Havia a expectativa de que o prazo fosse novamente adiado, mas por um período bem mais curto, de apenas 15 dias. Com a nova extensão, a decisão deve entrar em vigor no dia 16 de fevereiro de 2020 — se é que isso vai mesmo acontecer.

A decisão de proibir negócios com a Huawei foi tomada por uma ordem executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, em 15 de maio de 2019. O país norte-americano alega que a empresa representa uma ameaça à segurança nacional, pois teria estreitos laços com o governo chinês e suas agências de inteligência, que usariam a tecnologia vendida pela Huawei para espionagem.

Depois da ordem administrativa, foi dado um prazo de 90 dias para as empresas americanas encerrarem seus negócios com a Huawei. Quando esse prazo terminou, secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, adiou a validade da medida em mais 90 dias. Esse prazo deveria terminar nesta semana, mas foi novamente postergado.

Mesmo assim, a medida teve consequências para empresa. Seu mais recente smartphone, o Huawei Mate 30, não tem acesso a apps e serviços do Google. Mesmo assim, a empresa registrou um crescimento de 24% no mercado de smartphones, apesar de todas as restrições e incertezas.

Como lembra o Verge, essa nova prorrogação vem em um momento em que China e EUA estão em negociação para pôr fim à guerra comercial entre os países, que já dura mais de um ano.

Huawei, China e EUA

A Huawei está proibida de fazer negócios com empresas dos EUA desde maio, quando Trump assinou uma ordem executiva que incluiu a companhia chinesa na chamada Lista de Entidades do Departamento de Indústria e Segurança (BIS, na sigla em inglês).

Esse foi a atitude mais drástica depois de anos de tensões. A Huawei foi acusada de fornecer equipamentos não confiáveis de telecomunicações e, por isso, proibida de fazer negócios com agentes do governo norte-americano.

Além disso, a empresa foi processada pelos EUA por roubo de segredos comerciais, fraudes e obstrução de justiça. Ela processou de volta, alegando que a proibição de negócios era inconstitucional sem o devido processo legal.

Outro ponto marcante da tensão foi em dezembro de 2018, quando a diretora financeira da empresa, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá a mando dos EUA, sob acusação de violar sanções econômicas contra o Irã. Ela aguarda um processo de extradição para os EUA. Meng Wanzhou é filha de Ren Zhengfei, fundador da Huawei.

Vale lembrar que China e EUA está em meio a uma guerra comercial desde 2018, com tarifas sobre importações sendo aplicadas. Mesmo com as alegações de segurança, Trump declarou que o futuro da proibição da Huawei está ligado aos acordos comerciais com o país asiático.