Há alguns dias, falamos da estreia da americana Beyond Meat no Brasil, que foi uma das pioneiras em fazer substitutivos de carne animal usando proteína vegetal, tentando imitar inclusive gosto e textura. Nesta quarta-feira (29), em conversa com jornalistas, a empresa deu mais detalhes sobre sua vinda ao Brasil, inclusive reconhecendo que o produto não é muito acessível por aqui.

Mesmo assim, Will Schafer, VP da Beyond Meat, afirmou que o objetivo é chegar ao preço da proteína animal em quatro anos. “Parte da nossa missão é acessibilidade. Queremos democratizar nosso produto. Estamos concentrados em aumentar a escala e reduzir custos de fabricação. Nosso objetivo é ter um produto com preço semelhante ao da proteína animal até 2024.”

Para você ter noção dos preços de produtos da marca no Brasil — vendidos, por enquanto, apenas no mercado St. Marché — o Beyond Burger, que vem com dois discos de 113 gramas, custa R$ 65,90. Já a carne moída Beyond Beef, que vem em um pacote de 454 gramas, custa R$ 99,90. A marca também tem linguiças veganas cuja bandeja com quatro gomos custa R$ 89,90.

Linguiças Beyond Sausage, da Beyond Meat, na frigideira. Crédito: Beyond MeatLinguiças Beyond Sausage, da Beyond Meat, na frigideira. Crédito: Beyond Meat

Com o valor do hambúrguer, dá para comprar um monte de hambúrgueres congelados de carne animal; já com o valor da carne moída da Beyond Meat é possível comprar pelo menos uns 3 kg de patinho moído no açougue perto de casa. Portanto, a opção vegetal ainda é mais cara que o produto animal.

Como já falamos em outras ocasiões, essas foodtechs fazendo alternativas à proteína vegetal apostam que a pecuária, que já consome muitos recursos naturais, não deve ter grandes evoluções nos próximos anos. Então, elas estão tentando aumentar a escala de fabricação de modo que seus produtos fiquem mais baratos que a proteína animal, seja ela carne ou porco.

“Se o sabor de nosso produto não for delicioso, se não passar aquela sensação familiar, os consumidores não vão aceitar e fazer a mudança”, disse o executivo da Beyond Meat.

De modo geral, os alimentos da Beyond Meat são produzidos com proteína de ervilha, arroz, feijão mungo e óleo de coco. A marca diz que não usa soja nem organismos geneticamente modificados.

Hambúrguer da Beyond Meat sendo prensado durante fabricação. Crédito: Beyond MeatHambúrguer da Beyond Meat sendo prensado durante fabricação. Crédito: Beyond Meat

Dependendo o quanto essas empresas conseguirem baratear o produto, pode ser que em questão de anos o comum seja comer essas alternativas de proteína vegetal, enquanto a proteína animal deverá ser mais escassa e, consequentemente, mais cara.

Ah, mas por que esse caras querem fazer um produto tão parecido com proteína de verdade? Em conversa com jornalistas, Schafer diz que tem relação com o público que eles querem impactar.

“Nossos consumidores são os amantes de carne, que são a maioria das pessoas. Oferecemos um produto bom, que não envolve sacrifício e que tem quantidade semelhante de nutrientes”, disse Schafer.

Por que o Brasil?

O Brasil é um dos maiores produtores de carne do mundo, e o terceiro em consumo de carne. Por que uma empresa dessas quer tentar a sorte por aqui? Schafer diz que sabe do quanto que o brasileiro gosta de churrasco — ele disse que já morou por aqui — e, por isso, acha que os produtos podem ser bem recepcionados pelo público local

“Estávamos criando as condições e procurando um bom parceiro para nossa estreia. O Brasil parece ser um mercado pronto para nossos produtos, ainda mais com o aumento da adoção ao flexitarianismo”, disse.

O flexitarianismo consiste na redução do consumo de proteína animal sem deixar de consumi-la por completo, seja por questões de saúde, consciência ambiental ou simplesmente para variar mesmo. É praticamente um estágio intermediário ao vegetarianismo.

Por ora, os produtos da Beyond Meat são importados. No entanto, Schafer não descartou de tentar fabricar esses produtos localmente no futuro. Atualmente, a marca conta com manufatura de produtos nos EUA, Canadá e Europa.

Enquanto não produz por aqui, a brasileira Fazenda Futuro, que estreou no País há um tempo, vende uma gama de produtos parecidos a um preço bem menor — mas que continua sendo mais caro do que as versões de proteína animal.