Uma semana após o lançamento do último capítulo de Fortnite — que não está disponível no iOS ou macOS por causa da briga entre a Epic Games e a Apple — a Epic Games está novamente pedindo ao tribunal para colocar seu jogo de volta na App Store. O desenvolvedor alega que está sendo retaliado por “ousar desafiar a má conduta da Apple”.

Na medida liminar apresentada na última sexta-feira (4), a Epic disse que se o tribunal não tomasse providências, “provavelmente sofreria danos irreparáveis”. Também pede ao tribunal que force a Apple a restaurar sua conta de desenvolvedor. A Epic afirmou no documento que “o equilíbrio dos danos pende fortemente a favor da Epic”. A liminar foi apresentada no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia.

Em uma declaração ao Gizmodo, a Epic chamou a Apple de monopolista e a acusou de tentar destruir seu negócio.

“A Apple é uma empresa monopolista e enfrentá-los é um passo necessário para libertar os consumidores e desenvolvedores das restrições ilegais que a Apple impôs sobre a distribuição de aplicativos e processamento de pagamentos no aplicativo no iOS”, disse Epic. “Por muito tempo, os desenvolvedores não se manifestaram porque temem a retaliação da Apple. As ações recentes da empresa mostram que se você desafiar o monopólio da Apple, a Apple tentará destruir seu negócio”.

Esta não é a primeira vez que a Epic tenta fazer com que um juiz force a Apple a deixar o Fortnite na App Store. No final de agosto, o Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte da Califórnia decidiu que, embora a Apple pudesse tirar o Fortnite da App Store, não poderia remover a Unreal Engine, da Epic.

O Gizmodo entrou em contato com a Apple para comentar o pedido de liminar protocolado na sexta-feira. A empresa nos apontou suas declarações anteriores sobre o assunto. Nelas, a Apple diz que a Epic concordou com os termos e diretrizes da App Store livremente e que construiu um negócio de sucesso na App Store.

“O fato de que seus interesses comerciais agora os levam a pressionar por um acordo especial não muda o fato de que essas diretrizes criam condições equitativas para todos os desenvolvedores e tornam a loja segura para todos os usuários. Faremos todos os esforços para trabalhar com a Epic para resolver essas violações para que eles possam devolver o Fortnite à App Store”, disse a Apple.

Em relação à conta de desenvolvedor da Epic, a Apple disse que ficou desapontada por ter tido de encerrá-la, destacando que havia trabalhado com a empresa por muitos anos.

Entendendo a briga entre Apple e Epic Games

Caso você tenha perdido, a briga entre Epic e Apple começou em agosto, quando a desenvolvedora de games decidiu abrir mão do sistema de compra no aplicativo da Apple em sua App Store e permitir que os usuários comprassem V-bucks, a moeda do jogo Fortnite, diretamente da Epic. Os jogadores que compraram na Epic poderiam obter as moedas com um grande desconto.

De acordo com o sistema da Apple, com o qual todos os desenvolvedores de aplicativos devem concordar para entrar na App Store, a Apple obtém uma taxa de 30% nas vendas de um aplicativo, o que inclui compras dentro do jogo. Além disso, os desenvolvedores também devem concordar em não oferecer métodos alternativos de pagamento que circulem pela Apple.

Como vocês já podem imaginar, a Apple não gostou do fato de a Epic quebrar descaradamente suas regras. Imediatamente a Apple tirou o Fortnite da App Store, o que desencadeou o que foi aparentemente uma campanha premeditada que incluía um vídeo tirando um barato do icônico comercial do Super Bowl de 1984 da Apple e um processo antitruste.

Como resultado, os usuários do iOS e Mac não têm acesso à última versão do Fortnite, embora os usuários que já tenham baixado o jogo ainda tenham a opção de jogar a versão anterior. Eles podem até jogar com outros jogadores, embora não possam fazer compras no aplicativo.

Não está claro no momento quem vai ganhar esta batalha, embora ambos os lados tenham advogados prontos para atacar. A Epic não é a única empresa que está irritada com o “imposto” que a Apple cobra na sua loja de apps, e a prática está atualmente sob investigação pela Comissão Europeia. Uma vez que novos programas e filmes são limitados por causa da pandemia global em que vivemos, pelo menos ainda podemos ver uma novela da vida real entre bilionários enquanto isso.