Esta semana, o relacionamento entre a Nokia e smartphones passou de “é complicado” para “é oficial”: a marca será licenciada e retornará ao mercado de celulares. É o fim de quase uma década de estranheza e declarações contraditórias. Para relembrar essas atribulações, segue abaixo um histórico resumido.

>>> Como a Nokia ficou para trás na corrida de smartphones
>>> Como será o retorno da marca Nokia a smartphones e tablets com Android

1996 – 2007: a ascensão. Em 1996, é lançado o Nokia 9000 Communicator, combinando um PDA com um celular. Ele pode ser aberto para revelar uma tela e um teclado QWERTY, e oferece e-mail, agenda, navegação na web por texto e a capacidade de enviar e receber faxes.

Em 2000, temos o Nokia 9210 Communicator, desta vez rodando Symbian (em vez do GEOS). E em 2003, começa a ascensão do Symbian: o Nokia 6600 é um sucesso, com 150 milhões de unidades vendidas.

Em 2006, o Symbian atinge 73% do mercado de smartphones, a maioria deles sendo da Nokia. E no ano seguinte, é lançado um dos aparelhos mais icônicos da finlandesa: o N95, primeiro celular com câmera de 5 megapixels.

2007 – 2011: a queda. A Nokia cancela um projeto de smartphone touchscreen três anos antes de o iPhone ser lançado. E mesmo após o lançamento bem-sucedido do iPhone, o então CEO Olli-Pekka Kallasvuo muda a estratégia da Nokia e foca em dumbphones, respondendo ao sucesso de aparelhos como o Motorola Razr V3. Symbian e Maemo/MeeGo se tornam algo secundário. Em 2011, o Symbian representa apenas 16,9% das vendas de smartphones.

2011 – 2013: a era Windows Phone. A Nokia anuncia uma parceria com a Microsoft para usar o Windows Phone 7 em seus principais aparelhos. Ela desiste do MeeGo e do Symbian.

Isso nos traz a linha Lumia, e também alguns contratempos na transição para o Windows Phone 8. A Nokia anuncia o Lumia 900 dizendo que “o teste beta dos smartphones acabou”; meses depois, é anunciado que ele não receberá o WP8.

Em 2011, a Nokia perde o primeiro lugar em venda de smartphones para a Apple; no ano seguinte, perde a liderança de celulares em geral para a Samsung.

Setembro de 2013: a Microsoft compra a divisão móvel da Nokia por US$ 7,2 bilhões, incluindo as marcas “Lumia” e “Asha”. A Nokia fica proibida de entrar no mercado de celulares por três anos, até o final de 2016.

Novembro de 2014: a Nokia anuncia o tablet N1, basicamente um clone do iPad Mini rodando Android.

Abril de 2015: fontes dizem ao Re/code que a Nokia planeja retornar aos celulares em 2016, mas não pretende fabricá-los. Por sua vez, o site chinês SCDaily.cn alega que a empresa vai voltar ao mercado de celulares com um smartphone Android, abrindo um centro de pesquisa e desenvolvimento em Sichuan, onde há várias indústrias de celular. A Nokia publica um comunicado dizendo que “relatos alegando a intenção de fabricar celulares em um laboratório de P&D na China” são falsos.

Junho de 2015: o CEO Rajeev Suri confirma que a Nokia voltará ao mercado de celulares, mas de um jeito diferente: “nós só iríamos projetá-los e oferecer o nome da marca sob licenciamento”.

Julho de 2015: a Microsoft demite 7.800 funcionários ao redor do mundo, principalmente na área de telefonia, e faz ajuste contábil de US$ 7,6 bilhões relacionado à compra da divisão móvel da Nokia – com isso, ela registra o segundo prejuízo de toda sua história.

No mesmo mês, um comunicado da Nokia diz: “a pergunta surge o tempo todo: a Nokia voltará para dispositivos móveis? A resposta: é complicado.”

Fevereiro de 2016: o CEO Rajeev Suri diz durante a feira Mobile World Congress que está procurando um parceiro que possa vender smartphones da marca Nokia em todo o mundo. A finlandesa só cuidaria do design, no entanto: “nós não queremos apenas colocar logotipos no dispositivo de alguém, ele precisa ter a sensação de um Nokia, de como a Nokia era conhecida”, nota o executivo.

Maio de 2016: agora é oficial. No entanto, como vinha sendo avisado por um bom tempo, a Nokia não vai fabricar nem vender os smartphones: isso ficará a cargo da Foxconn e de uma nova empresa chamada HMD Global. Elas têm uma licença de dez anos para fabricar smartphones e tablets Android, além de dumbphones, com a marca Nokia.

Vai demorar um pouco até que smartphones Nokia cheguem ao mercado. Mas será inegavelmente nostálgico ver a famosa marca finlandesa estampada em um smartphone novo.