Primeiro surgiu a Web1, trazendo as páginas estáticas conectadas por hiperlinks. Depois, veio a Web2, com o início da interatividade, o comércio eletrônico e a disseminação das redes sociais. Agora, estamos nos aproximando da Web3 (ou Web 3.0).

Mas como ela funcionará na prática?

A verdade é que o conceito da Web3 ainda é algo nebuloso, pois ele está em desenvolvimento e não tem uma descrição totalmente definida.

Entretanto, o ponto principal dessa nova geração da internet é que ela deverá ser descentralizada, não sendo controlada por governos e, principalmente, pelas grandes corporações.

Também é esperado que outras tecnologias, como blockchain, inteligência artificial e softwares abertos componham essa nova geração da internet.

Além disso, é possível que o inovador, mas não menos controverso, Metaverso faça parte da Web 3.0.

Entenda mais sobre tudo isso, a seguir!

O controle das Big Techs

Atualmente, boa parte da infraestrutura de rede para manter sites, redes sociais e aplicativos no ar está nas mãos de grandes corporações de tecnologia, como Google, Facebook e Amazon, por exemplo.

A maioria desses serviços são bastante populares na internet e são oferecidos de forma “gratuita”.

Mas, é claro, “não existe almoço grátis”.

Para utilizar esses serviços online, os usuários precisam aceitar as condições das Big Techs, entre elas, entregar seus dados pessoais para as corporações.

O que elas fazem com esses dados (valiosos, diga-se) nem sempre é algo transparente.

O dilema da privacidade

Imagem: Pixabay/Reprodução

Até recentemente, fazia sentido a “vista grossa” na violação da privacidade, pois era necessário fazer volumosos investimentos para desenvolver softwares e instalar servidores, criando a grande infraestrutura que temos hoje.

Até certo ponto, essas corporações eram controladas por regulamentos estabelecidos pelos governos.

Entretanto, diante dos inúmeros casos de vazamentos de dados, o escândalo da Cambridge Analytica, assim como as denúncias de que as redes sociais têm se tornado um ambiente tóxico (incluindo a violação de direitos humanos), ficou claro que algo precisava mudar.

Ano após ano, esses problemas estão minando a confiança das pessoas na internet ou na segurança dos seus dados.

Isso sem falar nas grandes falhas de rede, como a que ocorreu no Facebook, em outubro passado, que expôs o perigo de ficarmos dependentes dessas grandes empresas.

Web3 descentralizada

A chave para criar uma internet descentralizada pode vir da tecnologia das criptomoedas, mais precisamente da rede blockchain. Inclusive, o termo Web3 foi cunhado por Gavin Wood – um dos cofundadores da criptomoeda Ethereum.

A tecnologia blockchain foi construída sob dois pilares principais: a computação distribuída e a criptografia.

No caso da computação distribuída, os dados são compartilhados em uma vasta rede de computadores e servidores. Se uma cópia específica não corresponder a todas as outras cópias, esses dados serão inválidos.

Já na criptografia do blockchain, os dados só podem ser acessados por pessoas que tenham permissão para fazê-lo, mesmo que os dados estejam armazenados em um computador que pertence a outra pessoa, governo ou corporação.

Portanto, a solução para reduzir o poder das Big Techs pode estar no uso do blockchain, não apenas para armazenar os dados no livro-razão público, mas também para solidificar a privacidade dos usuários.

Isso significa que uma empresa ou governo não pode acessar, alterar ou manipular os dados sem as chaves criptográficas que provem que eles são os proprietários.

Em vez de serem armazenados em servidores como estão agora, os dados que compõem a internet seriam armazenados na rede blockchain. Nela, ninguém teria “posse” deles.

E, mesmo que ocorra uma falha ou um servidor da rede seja desligado, os dados ainda poderão ser acessados em uma das centenas de outros computadores que os mesmos estão armazenados.

Web semântica

Imagem: Pixabay/Reprodução

Há quem aposte que a nova geração da internet também será caracterizada por uma “Web Semântica”.

Diante do crescimento desenfreado de textos, imagens e vídeos postados todos os dias na internet, é fácil se perder com a imensa quantidade de informação disponível.

A ideia por trás da Web semântica é criar um esforço colaborativo para criar um padrão de formatação de dados para organizar toda essa informação, trazendo mais significado ao conteúdo.

Dessa forma, não seria necessário buscar por informações de forma isolada ou por meio de palavras-chave.

Assim, quando essa tecnologia for implementada, teríamos uma internet mais parecida com uma grande enciclopédia online, com verbetes rápidos, com conteúdos de fácil acesso e legível em diversos dispositivos.

Internet aberta e segura

Outro conceito que poderá ser atrelado à Web 3.0 é que a infraestrutura seja construída em softwares de código aberto.

Na prática, as pessoas poderiam trocar informações (ou dinheiro) em aplicativos que não precisariam de intermediários, sem solicitar credenciais de acesso ou obter permissão de provedores ou terceiros.

Por exemplo, em vez de usar um app de banco, as pessoas poderiam pagar por um bem ou serviço usando um aplicativo de código aberto desenvolvido para pagamentos. A transação seria validada, codificada e armazenada na blockchain.

Além disso, a inteligência artificial teria um papel importante ao integrar, melhorar e dar mais segurança aos usuários, otimizando a experiência de utilizar a internet.

A dúvida em torno do Metaverso

Imagem: Unreal Engine 4/Divulgação

Para muitos, o Metaverso é apontado como o grande salto evolutivo da internet, surfando na velocidade do 5G. Mas será?

Mark Zuckerberg fez um bom trabalho de marketing ao prever os benefícios do Metaverso. Porém, a tecnologia ainda tem vários gargalos que não tem uma solução prática.

A começar pela rede 5G, uma tecnologia promissora, mas que simplesmente não estará disponível para todos da noite para o dia. No Brasil, por exemplo, ainda há áreas que mal pegam o 3G.

No final do ano passado, Bill Gates se mostrou animado para a chegada do Metaverso, mas reconheceu que a grande barreira está na aquisição dos caríssimos óculos de realidade virtual e aumentada.

Seria necessário que o valor dos equipamentos fosse subsidiado pelas plataformas, o que pode ser traduzido em mais dependência das grandes corporações.

Por outro lado, Elon Musk chegou a zombar que ninguém ficaria com uma “maldita tela” nos olhos o dia todo. Na mesma ocasião, ele também fez pouco caso da Web3. No entanto, ele pode estar apenas puxando a sardinha para outro projeto pessoal dele, a Neuralink – que, por sinal, também não vai nada bem.

Já a Intel, lembrou a todos que se juntarmos toda a infraestrutura de computação, armazenamento e rede que temos hoje, ela não daria conta de rodar o Metaverso. Para termos bilhões de humanos utilizando da visão futurista de Zuckerberg, teríamos que ter um hardware mil vezes mais poderoso que temos hoje.

Vamos aguardar…

Quando teremos a Web3?

Ainda há muitos pontos de dúvida ao redor da Web3, incluindo longos debates sobre modelos de negócios, privacidade online, questões de anonimato e até censura.

Tecnologias emergentes – como NFT e Metaverso – mal chegaram e já têm levantado uma série de problemas e questões, incluindo casos de fraudes, crimes e, até mesmo, racismo.

Em resumo, a Web3 ainda está no campo da teoria, mas isso significa que ela está tão distante. Como nas gerações anteriores, as novidades vão surgir aos poucos e de forma gradual, nos próximos anos.

A dica que deixamos é: quem quiser começar a se preparar para essa nova era da internet, é hora de começar a estudar mais sobre criptomoedas, blockchain e inteligência artificial.