Não faltaram histórias importantes no mundo da ciência em 2018. Algumas bem tristes, como o incêndio que devastou o Museu Nacional e comprometeu a pesquisa de muitas cientistas ou o falecimento de Stephen Hawking. Outras esquisitas, como a história mal contada do cientista chinês que afirma ter editado o DNA de dois bebês. E também vimos ótimas notícias, como a inédita gestação de uma mulher que recebeu um útero de uma doadora morta e o novo acelerador de partículas brasileiro.

Fizemos um resumo dessas e de outras histórias que agitaram nossas mentes inquietas e curiosas ao longo de 2018.

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O novo quilograma

Imagem: National Institute of Standards and Technology / Wikimedia Commons

Em 2018, uma mudança importante para a ciência aconteceu. O cilindro de metal usado para definir um quilograma saiu de cena — ele foi aposentado porque, bem, tudo se deteriora, então não é muito confiável usar um objeto físico como padrão de medida. Em seu lugar, foi adotada uma fórmula científica usando a constante de Planck.

O sarcófago que deixou muita gente doida

Imagem: Ministério de Antiguidades do Egito

Um assunto que deu muito o que falar em 2018 foi a arqueologia. E grande parte disso aconteceu depois que um sarcófago supostamente amaldiçoado foi aberto no Egito. Até agora, não percebemos nenhuma maldição, mas muita gente ficou com vontade de beber o estranho líquido que estava no túmulo — que devia ser de um esgoto que passava lá por perto. Nojento.

Muita gente também falou em comer um queijo milenar e um pão de 14 mil anos. Até nós entramos na brincadeira e sugerimos um “lanchinho” com esses dois itens e a carne de um cavalo de 30 mil anos muito bem preservado encontrado na Rússia.

O mistério dos bebês (supostamente) geneticamente editados

O final de 2018 ainda reservou um episódio para lá de esquisito. O cientista chinês He Jiankui afirmou ter participado da primeira edição genética em bebês, e que as crianças já teriam, inclusive, nascido. A alteração no DNA, feita usando o método CRISPR, seria para dar mais resistência ao vírus HIV, causador da AIDS.

A alegação de Jiankui, entretanto, parece fraca: não há qualquer confirmação do procedimento, e outros cientistas questionaram se o método utilizado seria realmente eficaz. Além disso, preocupações de ordem ética foram levantadas. O próprio governo chinês veio a público dizer que interrompeu um projeto desse tipo. Jiankui desapareceu desde então.

Os problemas enfrentados pela ciência brasileira

Imagem: Tânia Rego/Agência Brasil

O ano não foi nada fácil para a ciência brasileira. Uma grande tragédia (anunciada) marcou de maneira bastante simbólica os problemas que pesquisadores enfrentam: o Museu Nacional pegou fogo depois de anos de negligência. O incêndio destruiu grande parte de seu acervo e prejudicou o trabalho de muitos cientistas.

Felizmente, alguns itens puderam ser recuperados, como fragmentos crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, e o meteorito de Bendegó, maior siderito já encontrado em solo brasileiro. No fim do ano, o Google lançou um tour virtual pelo museu antes do incêncio.

A falta de recursos também atingiu as agências responsáveis pelo financiamento de pesquisas científicas. Mais de uma vez, CNPq e Capes vieram a público alertar que, se mantidos os orçamentos previstos para 2019, haverá problemas no pagamento a cientistas e no custeio a atividades.

Os cortes de gastos também comprometeram a participação brasileira no Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) — o país foi suspenso do consórcio por não efetuar o pagamento combinado.

Os feitos realizados pela ciência brasileira

Mesmo com tantos problemas, a ciência brasileira ainda teve alguns motivos para comemorar.

Um trabalho feito em parceria com instituições dos EUA e da Alemanha resultou em uma nova teoria sobre o povoamento do continente americano. Com isso, Luzia ganhou uma nova reconstituição facial, com características mais adequadas às novas descobertas.

Imagens: Rovena Rosa/Agência Brasil

A primeira etapa da construção do acelerador de partículas Sirius foi entregue em novembro. Em construção desde 2012 e com custo estimado em R$ 1,8 bilhão, pagos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), ele é considerado “o maior projeto da ciência brasileira” e será a “maior e mais complexa estrutura de pesquisa do País”.

Cientistas brasileiros transplantaram um útero de uma doadora falecida em uma mulher que não tinha mais o órgão. A paciente deu à luz uma criança, algo inédito em transplantes desse tipo, e que dá esperanças a muitas mulheres que querem ser mães.

O adeus a Stephen Hawking

Foto: AP

2018 também foi um ano marcado pela tristeza. A humanidade se despediu do físico Stephen Hawking — ele faleceu em março, aos 76 anos. A grande contribuição de Hawking para “vários campos diferentes, mas igualmente fundamentais, da teoria física: gravitação, cosmologia, teoria quântica, termodinâmica e teoria da informação”, como diz seu perfil publicado na BBC, permanecerá conosco por muito mais tempo.