A edição de 2020 da Consumer Electronics Show (ou CES, como a feira é mais conhecida) se encerrou neste final de semana. Centenas de empresas apresentaram produtos e conceitos dos mais variados tipos que foram de celulares a pedaços de madeira “inteligentes” com LED. O noticiário de tecnologia foi bastante cheio nesta semana graças a feira e, como publicamos o que esperávamos da feira, fazemos agora um balanço do que rolou.

Casa conectada

Seguindo o mantra de edições anteriores, a casa conectada (ou “inteligente”, como as marcas gostam de vender) está se transformando em algo mais palpável — começando por mercados como os EUA, como de costume.

Os dispositivos automatizados estão encontrando utilidades reais, sendo refinados, apesar de ainda serem muito caros. Para você ter uma ideia, uma cama “inteligente” que esfria e aquece cada lado do colchão separadamente custa a pechincha de US$ 8.000. Já a torneira da Moen que ajusta a temperatura e até a quantidade exata de água que deve liberar sai mais em conta, por US$ 430 — ainda assim, um valor considerável. Apesar dos valores, é evidente que são gadgets bacanas, que a gente sonha em ter na casa do futuro.

Imagem: Moen

A casa conectada também recebeu um empurrãozinho dos assistentes virtuais, que estão ficando mais espertos, integrados a cada vez mais produtos e, pelo menos na superfície, mais conscientes de que os consumidores não querem trocar privacidade por comodidade.

O Google aproveitou a CES 2020 para lançar uma ferramenta que facilita a configuração dos dispositivos conectados, as ações programadas (que permite que você instrua um dispositivo conectado a fazer coisas em determinados momentos) e anunciar que seu conjunto de voz está mais expressivo, com mais emoções na fala.

Imagem: LG

Entre os dispositivos mais bacanas, parece que a utilidade está mesmo na cozinha. Além da torneira inteligente que citei acima, a empresa Juno criou um acessório capaz de gelar até as bebidas mais quentes em pouco tempo. A LG, por sua vez, quer que você tenha uma hortinha dentro de casa. Para que as refeições têm muito o que ganhar com essa tendência de casas conectadas.

Esse tipo de produto deve aparecer nas próximas edições da CES e no noticiário de tecnologia durante o ano.

Notebooks

Outra categoria de produto que dominou as manchetes foi a de notebooks. O desktop ainda tem seu espaço, principalmente no ambiente corporativo e de games, mas sempre que vejo os lançamentos de laptops eles me parecem mais obsoletos. Não quero dizer que vão desaparecer, mas os notebooks chegaram a ponto de performance que une portabilidade que atrai a maioria das pessoas.

E, falando em games, a próxima aposta das companhias parece ser desenvolver laptops potentes para jogos. O Asus Zephyrus G14 tem especificações bacanas e um monte de LEDs na tampa, além de não ser um trambolho. A AMD, por sua vez, finalmente está no páreo de CPUs para laptops com o Ryzen 4000. E aqui faço uma menção honrosa ao Big O, que não é um notebook, mas um desktop que vem com Xbox One S ou PS4 embutido — baita ideia.

Asus Zephyrus G14Asus Zephyrus G14. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

Como de costume, vimos o novo Dell XPS 13, que incrivelmente conseguiu ficar ainda mais bonito. Falando em beleza, o Galaxy Chromebook da Samsung parece ser elegante — mas confesso que não consegui entender por que tanta potência num laptop que roda um sistema operacional limitadíssimo.

Alguns conceitos chamaram a atenção, como a tela dobrável do ThinkPad X1 Fold. Ele tem painel OLED plástico flexível da LG de 13,3 polegadas e me pareceu ser um dispositivo dobrável mais interessante do que os smartphones do tipo — o laptop parece ser bastante versátil. A Dell tem um produto muito parecido, o Concept Ori, e uma outra solução chamada Concept Duet oferecendo telas idênticas de 15 polegadas na parte superior e inferior.

X1 FoldThinkPad X1 Fold. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

Coisas legais

Além de produtos mais convencionais como notebooks e utilidades domésticas, a CES sempre nos revela algumas bugigangas que você mal poderia imaginar e outras inovações que vão além de dispositivos.

A própria Dell, por exemplo, mostrou um clone do Switch com Windows, chamado Concept UFO. Por fora, ele tem dois controles removíveis, um suporte dobrável e uma porta para conectar a uma tela. Mas por dentro, é um PC completo, incluindo suporte para uma CPU x86.

Concept UFO. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

A PopSockets, empresa que criou aquele círculo de plástico que fica grudado na traseira do celular e ajuda a segurar o aparelho de forma mais confortável, resolveu o problema de muita gente com um carregador sem fio próprio, com um buraco para você encaixar o celular. Quem usa o acessório geralmente não consegue usar um carregador sem fio porque não há espaço para contato — e, olha, com esse acessório você evita até do smartphone cair ou que ele fique mal encaixado, win-win.

Saindo dos gadgets, a Impossible Foods apresentou a sua versão para carne de porco a base de plantas, ampliando o leque de sabores de seus produtos. Quem comeu disse que é bastante gostoso — o Burger King deverá ter o produto em lojas selecionadas dos EUA no final de janeiro.

Inovações médicas também fizeram parte da CES 2020 e uma das soluções mais curiosas foi o adesivo que é colocado lá onde o Sol não bate para tratar a ejaculação precoce. O dispositivo desenvolvido pela Morari é uma espécie de band-aid que vai lá no períneo — entre o ânus e o saco escrotal.

Adesivo da Morari Medical quer combater ejaculação precoceAdesivo da Morari. Foto: Victoria Song/Gizmodo

E já que falamos em sexo, a CES ficou menos careta e finalmente passou a permitir a exibição de brinquedos eróticos e afins. Teve empresa que mostrou vibradores que poderiam ser montados de acordo com preferências pessoais, a Lora DiCarlo montou seu estande com o Osé — brinquedo sexual que havia ganhado o prêmio de inovação no ano passado, mas proibido de exibir na feira — entre outras. Por outro lado, o ganhador do prêmio deste ano era um produto voltado para usuários de maconha, mas que também teve restrições (mas, para ser justo, algumas questões legais estavam envolvidas). Quem sabe ano que vem a CES fique ainda menos careta.