por Bruno Izidro

Os 365 dias de 2015 pareceram pouco para o tanto que aconteceu envolvendo os joguinhos eletrônicos. Esse foi, sem dúvida, um ano intenso, com games importantes sendo lançados, polêmicas acontecendo em muitos lugares e perdas que serão sentidas.

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Para relembrar tudo isso que passou, listamos aqui o que de mais impactante aconteceu e movimentou o cenário de games nos últimos 12 meses.

Caso Kojima/Konami

Aí está uma verdadeira novela que durou quase o ano todo, com direito a vários capítulos, mistérios e um final digno de season finale. Tudo começou quando surgiram evidências de que a Kojima Productions havia sido dissolvida pela Konami e que o próprio Hideo Kojima estaria de partida da empesa.

Boato daqui, rumor acolá e depois de um tempo era quase certo que Kojima só continuava na Konami para terminar The Phantom Pain, lançado em setembro. Até mesmo surgiram imagens do que seria o último dia do desenvolvedor na empresa, em outubro.

O season finale desse drama só chegou realmente ao fim há poucos dias, quando o próprio Kojima finalmente declarou que o seu contrato com a Konami havia terminado em 15 de dezembro, após quase 30 anos na empresa. No dia seguinte, ele anunciou a criação de um estúdio independente, batizado também de Kojima Productions, e que está em parceria com a Sony para desenvolver um projeto completamente novo.

Dublagem PT-BR nos games

No início do ano, dois grandes lançamentos foram marcados muito mais pela presença de artistas em suas dublagens do que pelos jogos em si. Primeiro foi com Battlefield: Hardlines, que contou com Roger, vocalista da banda Ultraje a Rigor, dublando o protagonista do game. Em seguida foi Mortal Kombat X, que teve a presença da voz de Pitty na personagem Cassie Cage.

Ambos os trabalhos foram muito criticados e, principalmente Roger, reagiu bem mal a essas críticas. Alguns dubladores profissionais até saíram em defesa dos artistas, argumentando que o buraco é muito mais em baixo e são as empresas que erram ao escalar pessoas famosas para chamar mais atenção para a obra, mesmo em detrimento da qualidade.

Pitty_MKX

Para não dizer que tudo foi ruim nesse assunto, nós conversamos com o diretor de dublagem dos recentes jogos da Blizzard, que estão entre os melhores exemplos dublagem em PT-BR, para nos contar um pouco como é todo esse trabalhoso processo.

Nintendo finalmente no mercado mobile

Depois de muita pressão do mercado e pedidos dos fãs, a Nintendo finalmente cedeu e anunciou que entraria no mercado mobile com seus jogos por meio de uma parceria com a gigante japonesa DeNA. A ideia da BIG N é desenvolver até cinco jogos originais, usando personagens de suas franquias famosas, para Smatphones e Tablets nos próximos dois anos.

O primeiro desses jogos foi revelado em outubro e se chama Miitomo, uma espécie de jogo social envolvendo os Miis do Wii/Wii U. O jogo em si, porém, só virá em 2016. Ainda em 2015 nós tivemos pelo menos a presença de Pikachu, Bulbassauro e companhia nos aparelhos Android e iOS com Pokémon Shuffle, um port do jogo free-to-play que havia sido lançado para 3DS algum tempo antes.

Pra completar, ainda houve o anúncio de Pokémon GO, um jogo que será lançado ano que vem para smartphones e que vai usar realidade aumentada para te fazer procurar, capturar e batalhar com pokémons nas ruas, com direito até uma pulseira especial como acessório.

Morte do presidente da Nintendo

Ainda falando de Nintendo, mas em um tom bem mais triste, em julho faleceu o presidente Satoru Iwata, com apenas 55 anos, vítima de câncer. O executivo era uma das principais figuras da empresa não só pelo cargo que exercia, mas porque era muito querido dos fãs, muito por causa dos vídeos do Nintendo Direct que ele apresentava.

iwata direct

Logo após a morte de Iwata, Shigeru Miyamoto assumiu provisoriamente o cargo de chefão da Big N. Isso mudou em setembro, quando um quase desconhecido Tatsumi Kimishima (um ex-executivo da The Pokémon Company e Nintendo of America), se tornou o novo presidente da empresa, aparentemente de forma provisória, já que seu mandato é de apenas um ano.

Uma amostra da realidade virtual em jogos

Com Oculus Rift e PlayStation VR chegando em 2016, esse foi o ano das empresas darem um teaser do que esperar de games para essas novas plataformas. Também teve espaço para mais um concorrente, o HTC Vive da Valve. Nós até testamos ele.

Já sobre os jogos, muita coisa foi mostrada, principalmente por parte da Sony, que durante o ano mudou o nome do seu Project Morpheus para oficialmente PlayStation VR. Na Paris Games Week, em outubro, e depois da PlayStation Experience, nesse mês de dezembro, ela mostrou um poucos dos jogos em desenvolvimento para o aparelho.

Retrocompatibilidade no Xbox

Se há uma coisa que a Microsoft deve se orgulhar com o Xbox esse ano, muito mais do que os seus games exclusivos, é o quão bem recebido foi a retrocompatibilidade de jogos de Xbox 360 no Xbox One. A notícia pegou todos de surpresa quando foi anunciada na E3 desse ano, em junho, e quem ainda ficou cético não teve o que falar quando a função estreou em novembro, trazendo mais de cem títulos do antigo console e que agora fazem arte do catálogo do One (mesmo que muitos não estejam disponíveis no Brasil).

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Os jogos, sejam em versão física ou digital, funcionam perfeitamente e até mesmo quem nunca teve um Xbox 360 pode aproveitar muito isso. Não foi à toa que a Sony teve até que correr atrás do prejuízo e, em Dezembro, anunciou que jogos de PS2 vão começar a ser relançados na PS Store do PS4, funcionando por emulação.

Consolidação da atual geração com bons jogos

Se 2014 ainda deixava dúvidas quanto a se adquirir um PlayStation 4 e Xbox One, 2015 provou que a atual geração tem, sim, força e até o Wii U não foi esquecido. Tudo isso com o mais importante: bons jogos. No primeiro semestre vale destacar jogos como Bloodborne, The Witcher 3 e também Splatoon.

Também tivemos a surpresa do ano com Rocket League, além de podermos viver uma vez na pele do homem-morcego com Batman: Arkham Knight, mesmo com todos os problemas da versão de PC. Já nesses últimos seis meses, andamos muito ocupados, seja nos desertos de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, nas ruas da Londres vitoriana de Assassin’s Creed Syndicate, na tumbas de Rise of The Tomb Rider e – claro – no mundo pós-apocalíptico de Fallout 4.

Como menção honrosa – já que não conseguimos jogar – não podemos deixar de falar também de Super Mario Maker e suas incríveis ferramentas de criação de fases. Sim, 2015 foi um ano com ótimos jogos.

Os jogos brasileiros finalmente em destaque

Não foi só com jogos AAA que 2015 foi bom. Muitas produções brasileiras também ganharam destaque nesse ano. Começou em abril, quando Krinkle Krusher se tonou o primeiro jogo brasileiro lançado no PS4 e, a partir de então, foi um lançamento atrás de outro: Toren, Chroma Squad e Odallus: The Dark Call.

Só em agosto, quatro ótimos jogos brasileiros foram lançados de uma vez, com destaque para o premiado Relic Hunters Zero e o sucessor espiritual de Top Gear: Horizon Chase. Vale lembrar também que em setembro o Xbox One recebeu uma versão melhorada de Aritana e a Pena da Harpia.

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Todo esse crescimento de jogos nacionais culminou na Brasil Game Show, em outubro, com uma considerável (mesmo que ainda meio escondida) Área Indie e estandes tanto da Microsoft e Sony apresentando jogos brasileiro em seus respectivos consoles. Por fim, nesse fim de ano, começamos a ver as primeiras experimentações de jogos BR na realidade virtual com o simpático Finding Monsters, tanto para mobile quanto para Samsung Gear VR.

Quando League of Legends lota sala de cinema e estádio 

Em 2015 vimos mais uma vez o Lolzinho se consolidando como o game mais popular do Brasil e a força do Moba da Riot Games é tamanha que a final do Circuito Brasileiro de League of Legend (CBLoL), em agosto, foi realizado no estádio Allianz Parque, do Palmeiras, lotando uma parte do local. Quem não pode ir ainda tinha a opção de assistir à final em uma das várias salas de cinema em todo o pais em que a partida foi transmitida ao vivo.

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Toda essa popularidade também está começando a se refletir no nível dos times profissionais de LoL no país. A Pain Gaming, que foi a campeã do CBLoL em 2015, conseguiu fácil uma vaga para o mundial do jogo, repetindo o feito da Kabum! no ano passado. Os brasileiros conseguiram até ganhar uma das partidas em que disputou. A popularidade de LoL vista aqui é muito reflexo do poder que ele tem também lá fora. Os mais de 330 milhões de pessoas que acompanharam o mundial esse ano são prova disso.